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sexta-feira, 27 de maio de 2011

Já viu folha de cacto?

Olá, cientistas do semiárido!
Eu plantei alguns cactos no meu quintal há algumas semanas e disse para meu avô que os espinhos eram folhas modificadas. Meu avô olhou para mim, deu uma risadinha, tipo: hunf! e falou que folha é folha e que aquilo era ES-PI-NHO. Tá bom, vovô. Não tinha como provar, ainda mais que meu avô é daquele tipo que não adianta mostrar livro, trazer testemunha, nem dizer que jura. Ele quer quer VER PRA CRER. Deixei para lá. Afinal, como eu poderia mostrar essa adaptação? Não dá.

Depois de muita chuva em Salvador, fiquei preocupado com minhas plantinhas e fui dar uma olhada nelas. SURPRESA!!!!! Olha o que eu vi:


um pouco mais perto...



A folha está circulada e o espinho na ponta da seta.    Viu você, que não é mentira?!

Tanta chuva e tão pouco sol fez com que não fosse necessário, para o cacto,  manter os espinhos e então esses ficaram com aspecto de folha novamente para aumentar a área clorofilada da planta e melhorar a fotossíntese!

Bem... vejamos com mais calma...

Os cactos tem folhas modificadas em espinhos, para evitar a perda de água e o caule é bastante suculento, pois lá armazenam água. Isso é evolução, meu caro, não se esqueça de que onde os cactos vivem é uma seca danada hein? lembra da seleção natural de Darwin? pois é, essa é uma adaptação ao meio, mas ainda há no DNA desse incrível vegetal, a informação de que aquilo é uma folha, por isso meus cactos tiveram (momentaneamente) os espinhos "transformados" em folhas, mas é só o período de chuvas intensas acabar que os espinhos voltam, quer apostar?

Será que essas fotos serão suficientes para convencer meu avô?

Uma perguntinha para você que é esperto: Se as folhas dos cactos são modificadas em espinhos, então como eles fazem fotossíntese????
Ahá! pensa aí e coloca sua opinião nos comentários. Depois eu comento também!

Abraço e até o próximo post!!

Vi no:
BOTÂNICA. Introdução à taxonomia vegetal A. Brandão Joly, Companhia Ed. Nacinal.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Será o cigarro uma bomba atômica?!

Olá, cientistas do cotidiano!

O mundo assiste, estarrecido, ao drama dos Japoneses, que, depois de tantas tragédias, ainda precisam administrar os constantes vazamentos radioativos de suas usinas.

Eu é que não queria material radioativo perto de mim! Deus me livre!

e você, queria?

você fuma? se fuma, queria, sabe porquê?

vejamos, passo a passo...

1° As plantações de tabaco recebem fertilizantes, que são feitos de rochas de fosfato (ricas em URÂNIO!). Na verdade o Urânio está presente normalmente no ambiente, mas em muito maior concentração nessas rochas de fosfato.

2° O Urânio-238 decai para chumbo-210, que é absorvido pelas raízes, daí para toda a planta (inclusive folhas).

3° Outra rota é o ar: O Urânio-238 também decai para Radônio-222 (um gás) e daí para chumbo-210, que se acumula nos tricomas (pequenos pelos) das folhas.

4° De decaimento em decaimento o produto final é o polônio-210, que é encontrado nos cigarros, quando transformados em fumaça levam o material radioativo para os pulmões.

Veja o infográfico que a revista Scientific American trouxe:

Mas, pensando bem, o superfosfato é usado em muitas outras culturas, desde pastagem para o gado até tomate ou soja, por exemplo. O polônio-210 não estaria em tudo o que a gente come?

Pois é, foi assim mesmo que esse problema foi descoberto por Vilma R. Hunt e colaboradores de Harvard, em 1964, eles sabiam que tudo o que era orgânico possuía esse elemento radioativo, mas descobriram que, nas cinzas dos cigarros não havia, pois perderam ao virarem brasa. Essa é a diferença para os alimentos! O polônio, depois de virar vapor, estaria se acumulando nos pulmões dos fumantes e sendo (só mais um) componente carcinógeno do cigarro.

Respondendo a pergunta do título: Não, o cigarro nãoé uma bomba, mas é mais radioativo do que imaginávamos não é?

Para saber mais: www.Scientificamerican.com/jan2011/polonium

Vi no:

Imagem e informação: Scientific American, fev/11

terça-feira, 11 de maio de 2010

Revista Conhecer e Todo Dia Biologia!

Ops! veja o que a revista Conhecer (ótima revista, por sinal) publicou em março:

Na postagem do mistério do pé grande nós falamos da ação da AUXINA. Viu que interessante?

Note o que diz a reportagem: "Cientistas da Inglaterra, do Canadá e da Suécia 'descobriram' " hahaha a gente já tinha visto isso nas nossas aulas de bio hein?!

Brincadeiras à parte, ciência é assim mesmo, tem que testar as "verdades" de novo e de novo e...

Continue atento ao que você lê! a ciência está no cotidiano.

TODO DIA BIOLOGIA!

terça-feira, 27 de abril de 2010

O mistério do pé grande!

Olá, cientistas do quintal!

Eu sempre achei estranho um pé de jambo que tem lá no quintal da casa de meu avô, eita troço gigante! parece um enooorme guarda chuva!

Porquê ele cresce tanto na direção horizontal assim?

Ninguém acreditava quando eu dizia: "-Rapaz, na casa de meu avô tem um pé de jambo maior que esse pé de manga aí." Todo mundo fazia graça, pensando que era cuiúda (mentira em interiorês).

Até eu já tava achando que podia ser apenas impressão minha, quando vi meu avô podando a árvore, então...

... eu pensei... pensei... doeu um pouquinho, mas eu pensei... e... acho que encontrei uma possibilidade!

Vamos lá:

O hormônio de crescimento das plantas são as auxinas, e são produzidas naquela região que muitos chamam de "olho", que é a gema apical (em interiorês). Todo hormônio que é produzido lá é distribuído por toda a planta e apresenta respostas diferentes em cada órgão:

Raiz, por exemplo, tem seu crescimento estimulado por concentrações baixas de auxinas;

o crescimento dos caules, em contrapartida é estimulado por maiores teores de auxinas que a raiz;
veja no gráfico abaixo:


Parece complicado, mas você vai entender, veja bem: Note que a concentração de AIA (a principal auxina) aumenta à medida que percorremos o gráfico horizontalmente e para direita.
O crescimento de cada órgão é inibido ou estimulado e podemos acompanhar isso seguindo o gráfico verticalmente. Agora observe que a porção mais à esquerda, que tem pouco AIA, estimula o crescimento da raiz e conforme o deslocamento para a direita há diminuição do estímulo até inibição. conforme a concentração de AIA aumenta percebemos que há um estímulo do crescimento do caule até que se aumentar mais acaba inibindo, tudo tem limite, né?
Agora vamos revisar como atuam as auxinas, acompanhando a famosa experiência de Went:




Went retirou o ápice da plântula (coleóptilo) e isso inibiu o crescimento. Mas, para provar que não é a simples presença do coleóptilo que faz a plântula crescer e sim uma substância produzida por ele, Went colocou o fragmento em ágar. Depois de um tempo, retirou e o ágar foi colocado na parte seccionada da planta, que voltou a crescer.
Tem mais: ao colocar o ágar (ou o próprio coleóptilo) em um lado apenas da planta, esse lado é estimulado e a parte que está crescendo mais dobra-se sobre a outra, como mostrado na parte inferior da figura.
Pronto! agora você se lembra que as auxinas são hormônios de crescimento das plantas e que são produzidas pelas gemas apicais. O principal é o AIA.
Lembra que eu falei do "olho" da planta? Ali é a principal fonte de produção. Essa gema é dominante sobre a produção de AIA em relação às demais. Tanto que se for podada, haverá um crescimento acentuado dos ramos laterais da planta.
Aí eu penso, será que essa é a explicação para o crescimento do jambeiro do quintal do meu avô, o "famoso pé grande"?
Ufa! esse post foi grande, né? agora é com você! tem muito mais coisa interessante sobre fitormônios. Consulte Sônia Lopes, César e Sezar, Amabis e Martho, José Luis Soares, e outras feras que vivem na biblioteca e até o próximo post!
Abraço, Prof. Eric
Vi no:
César e Sezar, ed. Saraiva (Experiência de Went);
crentinho.wordpress.com (gráfico AIA).